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Reassistindo One Tree Hill: não era só uma série

Tem coisas que não ficam no passado. Elas só esperam o momento certo pra voltar.

Oee, eu assisti One Tree Hill na adolescência, naquela época em que a vida parecia mais simples — ou talvez mais intensa, de um jeito que só a gente entende quando olha pra trás. Lembro claramente dos finais de semana, de acordar e ligar a TV no SBT e ali estavam também The O.C. e Smallville. Era quase um ritual.

Não existia streaming, não existia escolha infinita. Existia espera, presença e sentimento.

Naquela época, eu não sabia explicar o porquê, mas eu sentia. E sentir era o suficiente. Meu casal sempre foi Peyton Sawyer e Lucas Scott, desde o início, sem hesitar (afinal o Lucas SEMPRE AMOU ELA) tinha algo ali que não era só romance — era intensidade, era dor, era conexão. Era como se eles carregassem um tipo de amor que não se encaixa em explicações simples, só em sensações. E talvez tenha sido ali que eu comecei a entender, mesmo sem perceber, o tipo de história que me tocava de verdade.

Anos se passaram. A vida mudou. Eu mudei e então, em fevereiro deste ano, eu decidi assistir tudo de novo e já sabia que amava essa série, mas eu não lembrava que era tanto.

Reassistir One Tree Hill não foi só revisitar uma história — foi me reencontrar comigo mesma… Com a adolescente que eu fui, com tudo que era leve, com tudo que era profundo, com aquilo que ainda vive em mim, mesmo depois de tantas versões minhas terem existido.

Porque no fundo, não era só sobre a trama.

Era sobre a estética. Sobre a música — fissurada até hoje em I Don’t Want to Be — sobre aquele sentimento difícil de nomear, mas impossível de ignorar. Aquela atmosfera meio melancólica, meio artística, meio crua, analógica. *–*

Era sobre olhar pra Peyton Sawyer e reconhecer algo. Não só nela, mas em mim. Na forma de sentir, na forma de se expressar, na conexão com a música, com a arte, com a dor que também é beleza. Algumas personagens a gente gosta. Outras… a gente carrega.

E eu ainda carrego a Peyton.

Talvez por isso tenha doído um pouco perceber que eu não escrevi sobre isso antes. Que eu não registrei essas sensações quando elas estavam acontecendo pela primeira vez. Mas ao mesmo tempo, existe algo bonito em entender que certas coisas só fazem sentido quando revisitadas. Hoje, eu não sinto só com o coração — eu sinto com consciência. Eu enxergo camadas que antes passavam despercebidas. Eu entendo o impacto que tudo aquilo teve na construção do meu olhar, do meu gosto, da minha estética.

Reassistir não foi um ato de nostalgia. Foi um ato de reconhecimento.

De entender que muito do que eu sou hoje começou ali, em manhãs simples de fim de semana, com uma televisão ligada e uma história que parecia falar diretamente comigo, mesmo sem eu saber por quê e talvez seja isso que algumas histórias fazem com a gente. Elas não passam.

Elas ficam, silenciosas, moldando quem a gente se torna… até o dia em que a gente volta e percebe: nunca foi só uma série.

Ps. Tudo que eu não escrevi sobre OTH antes o farei a partir de agora. XD

B E L L A ★

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