Tem coisas que a gente não começa do zero — a gente reencontra. E foi exatamente isso que aconteceu comigo.
Recentemente, revisitando a série One Tree Hill, eu senti algo que já não aparecia há um tempo: uma vontade muito específica de me reconectar com a música de um jeito mais físico, mais presente, quase tátil. Muito disso vem da Peyton Sawyer, que sempre foi minha personagem favorita. Existe nela uma relação com a música que não é só sobre ouvir — é sobre sentir, colecionar, guardar histórias. E talvez tenha sido aí que algo despertou em mim também.
Mas o mais curioso é que esse “novo hobby” não começou exatamente do zero.
Antes mesmo de pensar em colecionar vinil de forma intencional, eu já tinha discos guardados. Alguns vieram da minha infância, outros foram aparecendo ao longo da vida — comprados sem um grande plano, mais por apego emocional, por nostalgia, por aquela sensação de “eu quero ter isso comigo”. Eles estavam ali, meio esquecidos, mas nunca deixaram de fazer parte da minha história e foi quando eu voltei a olhar para esses discos com mais atenção que tudo mudou.
Segurar um vinil é uma experiência completamente diferente. Tem o peso, o tamanho, o cuidado ao tirar da capa, o ritual quase silencioso que acontece antes da música começar. Não é só sobre consumir — é sobre desacelerar. Sobre escolher ouvir algo de verdade. Sobre estar presente a gente vive em um tempo em que tudo é imediato, acessível, rápido demais. E talvez por isso exista um certo encanto em voltar para o analógico. Em ter algo que ocupa espaço, que exige cuidado, que não cabe dentro de uma aba aberta no navegador.
Esse momento de redescoberta acabou virando um ponto de virada.
O que antes eram apenas lembranças guardadas começou a se transformar em intenção. Eu percebi que queria, sim, começar uma coleção. Mas não qualquer coleção — uma que faça sentido para mim. Que conte a minha história. Que misture passado e presente. Que tenha discos que eu amo, que marcaram fases, que representam quem eu fui e quem eu estou me tornando. E talvez essa seja a parte mais bonita de começar algo assim: não é sobre quantidade, nem sobre ter os discos “certos”. É sobre construir um universo próprio, aos poucos.
Ainda estou no começo — ou melhor, no recomeço. Mas existe algo muito especial nesse processo de olhar para trás e perceber que, sem querer, eu já tinha começado. Só faltava consciência.
Agora, cada novo vinil não vai ser apenas mais um item. Vai ser uma escolha. Um registro. Um pedaço de tempo guardado em forma de música.
E, de alguma forma, isso faz tudo parecer mais significativo… Gravei um vídeo para o canal e deixo como áudio visual caso você quaira conferir.
